Doença celíaca, ou a intolerância permanente ao glúten, geralmente se manifesta na infância, entre o primeiro e o terceiro ano de vida, sendo que é duas vezes mais freqüente no sexo feminino. O glúten é a principal proteína presente no trigo, aveia, centeio e cevada, e ainda no malte (subproduto da cevada), cereais amplamente utilizados na composição de alimentos, medicamentos, bebidas industrializadas, assim como cosméticos e outros produtos não comestíveis. Na verdade, o prejudicial e tóxico ao intestino do paciente intolerante ao glúten são "partes do glúten", que recebem nomes diferentes para cada cereal. Seriam eles: no Trigo é a Gliadina, na Cevada é a Hordeína, na Aveia é a Avenina e no Centeio é a Secalina. O Malte, muito questionado, é um produto da fermentação da cevada, portanto apresenta também uma fração de glúten. Os produtos que contenham malte, xarope de malte ou extrato de malte não devem ser consumidos pelos Celíacos. O glúten não desaparece quando os alimentos são assados ou cozidos, e por isto uma dieta deve ser seguida à risca. O glúten agride e danifica as vilosidades do intestino delgado e prejudica a absorção dos alimentos. A doença celíaca pode ser dividida em 3 classificações:
- clássica (mais comum): freqüente na faixa pediátrica, surgindo entre o primeiro e terceiro ano de vida, ao ser introduzido alimentação à base de papinha de pão, sopinhas de macarrão e bolachas, entre outros industrializados com cereais com glúten. Caracteriza-se pela diarréia crônica, desnutrição com déficit do crescimento, anemia ferropriva não curável, emagrecimento e falta de apetite, distensão abdominal (barriga inchada), vômitos, dor abdominal, osteoporose, esterilidade, abortos de repetição, glúteos atrofiados, pernas e braços finos, apatia, desnutrição aguda que podem levar o paciente à morte na falta de diagnóstico e tratamento.
- não clássica: apresenta manifestações monossintomáticas, e as alterações gastrintestinais não chamam tanto a atenção. Pode ser, por exemplo, anemia resistente a ferroterapia, irritabilidade, fadiga, baixo ganho de peso e estatura, prisão de ventre, constipação intestinal crônica, manchas e alteração do esmalte dental, esterilidade e osteoporose antes da menopausa.
- assintomática: São realizados nestes casos, exames (marcadores sorológicos) em familiares de primeiro grau do celíaco, que têm mais chances de apresentar a doença (10%). Se não tratada a doença, podem surgir complicações como o câncer do intestino, anemia, osteoporose, abortos de repetição e esterilidade.
Atualmente, estima-se que no Brasil existe 1 celíaco para cada 600 habitantes, utilizando-se o valor de 180.000.000 habitantes como base para o cálculo populacional, chega-se ao valor de 300.000 celíacos. Em alguns estudos realizados com crianças portadoras de diabetes mellitus tipo I, foi encontrada uma prevalência aumentada de doença celíaca, sugerindo o rastreamento periódico desta doença em todas as crianças com diabetes. Além disso, parentes de 1º grau de celíacos também devem ficar atentos, pois apresentam uma chance aumentada de desenvolver a doença.
Para fazer o diagnóstico de doença celíaca são realizados exames especializados para avaliar a absorção da D. Xilose e dosagem de gordura nas fezes, assim como dosagem de anticorpos antigliadina, antiendomiseo e antitransglutaminase, porém, é absolutamente necessária a realização da biópsia do intestino delgado para estabelecer o diagnóstico de doença celíaca. Não existem motivos que justifiquem iniciar a dieta isenta de glúten sem realizar a biópsia. Depois de estabelecido o diagnóstico, deve-se começar o tratamento, que consiste em uma dieta rigorosa, onde devem ser retirados todos os alimentos e preparações que contenham o glúten, como, por exemplo, pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, quibes, pizzas, cerveja, whisky, vodka, etc. Não se deve comer “só um pouquinho” desses alimentos, pois podem ocorrer conseqüências danosas para o paciente. Devem-se substituir os ingredientes que contenham glúten (como a farinha de trigo), por outras opções como o uso da farinha de arroz, amido de milho, farinha de milho, fubá, farinha de mandioca, polvilho e fécula de batata.
A dieta isenta de glúten deve ser seguida por toda a vida, e o cuidado extremo deve ser tomado, pois é muito fácil de haver contaminação, por exemplo, através do óleo de fritura (usado o mesmo em preparação com e sem glúten), na utilização da mesma faca para passar margarina no pão com glúten e depois no pão sem glúten, etc. Devido a exclusão total de alguns alimentos ricos em carboidratos e fibras, a dieta do celíaco habitualmente é composta em sua maior parte de gorduras e proteínas. Todo celíaco que não transgride a doença, tende a ter um aumento do peso corporal, e desta forma deve ter uma dieta equilibrada. Para tanto, deve diminuir a ingestão de proteínas, moderar o consumo de gorduras e aumentar o consumo de frutas, sucos naturais, verduras e legumes, tornando sua alimentação mais adequada e saudável. Na falta de produtos industrializados especiais sem glúten no mercado brasileiro, a maior parte das preparações do cardápio do paciente celíaco deve ser caseira. Vale ressaltar que existe a lei 10.674 que obriga os fabricantes a escrever se contém ou não contém glúten nas embalagens de todos os alimentos industrializados. Por isto é importante sempre estar atento ao rótulo dos alimentos.
Fontes:
www.acelbra.org.br
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